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Síndrome de Allen-Hines: Compreendendo o Lipedema

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Síndrome de Allen-Hines: Compreendendo o Lipedema

O lipedema foi descrito pela primeira vez pelos médicos Edgar van Nuys Allen e Edgar Alphonso Hines Jr em 1940, dando origem ao nome “síndrome de Allen-Hines”. A partir disso, passou a ser caracterizado como uma deposição anormal de gordura em glúteos e pernas de forma bilateral, podendo ser acompanhado por edema ortostático.

Atualmente, sabemos que o Lipedema é uma doença que acomete certa de 11% da população feminina do mundo, sendo mais incomum nos homens.

Segundo o Instituto Lipedema Brasil, essa doença tem se tornado mais conhecida no Brasil recentemente, “principalmente após a inclusão da doença no CID11 (classificação internacional de doenças) no inicio de 2022, mas o caminho ainda é longo no reconhecimento e oferta de tratamentos dessa doença por aqui”.

Sintomas e Características

  • Crescimento do tecido adiposo (gordura) de forma desordenada, acelerada e desproporcional.
  • Dificuldade de emagrecimento nas regiões afetadas
  • Dificuldade de mobilidade (dependendo do estágio)
  • Distúrbios alimentares e de imagem
  • Deformidade da pele
  • Diminuição do fluxo linfático
  • Nódulos de gordura palpáveis e doloridos
  • Pernas e ou/braços desproporcionais ao tronco.
  • Hematomas frequentes
  • Dor e sensação de peso nas pernas

O diagnóstico precoce e o início de tratamento adequado são extremamente importantes para evitar uma progressão da doença e deve ser realizado através de uma avaliação com médico e/ou fisioterapeuta especialista em lipedema.

Etiologia

A etiologia do lipedema permanece um mistério, embora muitos especialistas suspeitem de uma origem genética. Outras possíveis causas incluem fatores metabólicos, inflamatórios e hormonais. Observa-se piora do quadro em períodos de alterações hormonais como, por exemplo, puberdade, gestação, menopausa e até no uso de hormônios. Também há relatos clínicos de pacientes que apontam a migração da gordura lipedêmica para outros membros que não eram acometidos anteriormente, após anestesia geral.

Classificação e Estágios do Lipedema

O lipedema é dividido em cinco tipos, dependendo da área afetada, e alguns pacientes podem se enquadrar em mais de um tipo ao mesmo tempo.

A progressão da doença é categorizada em três estágios principais:

  • Estágio 1: A pele permanece lisa, e as pernas podem aparentar normalidade, mas os pacientes frequentemente relatam dor, contusões fáceis e uma textura nodular no tecido adiposo.
  • Estágio 2: A gordura exibe um padrão texturizado, similar ao de um colchão, indicativo de fibrose sob a pele. Este estágio pode afetar a parte superior das pernas (tipo II) ou estender-se até os tornozelos (tipo III).
  • Estágio 3: Caracteriza-se pela presença de dobras de tecido e a gordura lipedêmica geralmente se estende até os tornozelos.

Tratamentos Disponíveis

O tratamento do lipedema é multifatorial e deve ser personalizado para cada paciente. As principais abordagens terapêuticas incluem:

  1. Terapia Física Complexa: Envolve drenagem linfática manual, terapia compressiva, exercícios físicos e cuidados com a pele.
  2. Dieta e Atividade Física: Encoraja-se a adoção de hábitos saudáveis para ajudar na gestão do peso, da circulação e dos sintomas.
  3. Tratamento Cirúrgico: Inclui lipoaspiração tumescente e cirurgia plástica, métodos para a redução do tecido adiposo anormal.
  4. Suporte Psicológico e Emocional: Fundamental para ajudar os pacientes a lidar com o impacto emocional da doença.
  5. Suplementação e Medicação Sintomática: Conforme descrito por Amato & Bentti (2019), essas abordagens podem aliviar sintomas específicos.

O tratamento conservador é essencial para controlar o edema secundário, enquanto as intervenções cirúrgicas visam diminuir diretamente o tecido adiposo anormal. Os principais objetivos do tratamento são aliviar os sintomas, melhorar a qualidade de vida, retardar a progressão da doença e prevenir complicações, como o desenvolvimento do lipolinfedema.

É importante ter expectativas realistas, tanto para o paciente quanto para os profissionais de saúde. Mesmo quando o tratamento cirúrgico é uma opção, é crucial entender e implementar cuidados pré e pós-operatórios adequados, além de gerenciar essa doença continuamente. O objetivo é promover a independência do paciente, possibilitando que as consultas e terapias se tornem progressivamente mais espaçadas, à medida que o paciente se torna mais consciente dos cuidados e hábitos que deve incorporar regularmente em sua vida.

Com um entendimento mais aprofundado e tratamentos adequados, os pacientes com lipedema podem esperar uma significativa melhora em sua qualidade de vida, destacando a importância de uma abordagem holística e personalizada no manejo desta condição complexa.

 

Por:

Gabriella Pagani

Esteticista na Clínica IHOF+

 

Referências:

Kruppa, Philipp et al. “Lipedema-Pathogenesis, Diagnosis, and Treatment Options.” Deutsches Arzteblatt international 117,22-23 (2020): 396-403. doi:10.3238/arztebl.2020.0396

(Allen et al., 1940; Wold et al, 1951; Whonamedit dic medico, 2019

Forner-Cordero I, Forner-Cordero A, Szolnoky G. Update in the management of lipedema. Int Angiol. 2021;40(4):345-357. doi:10.23736/S0392-9590.21.04604-6

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